Se você é do tipo que curte um cinema pipoca focado em ação sem freio, a sorte está do seu lado. Mortal Kombat II, uma das sequências mais aguardadas por quem respira cultura pop e videogame, acabou de aterrissar no streaming depois de uma passagem um tanto discreta pelas telonas. O torneio mais brutal do entretenimento está de volta sob o comando de Simon McQuoid, e a franquia da NetherRealm Studios continua quebrando tudo na adaptação. A história já te joga direto nos preparativos insanos para o torneio definitivo de Outworld, e um aviso para os desavisados: a trama continua exatamente da onde o reboot de 2021 parou. Se você não assistiu ao primeiro ou se a memória já deu tela azul, vale dar um confere antes, porque o filme não perde tempo mastigando quem é quem e já pressupõe que você conhece a galera de Earthrealm.

As apostas no filme estão altíssimas, principalmente pelo peso dos recém-chegados para encarar o regime sombrio de Shao Kahn. O grande chamariz, sem dúvida, é a introdução do fanfarrão Johnny Cage, interpretado por Karl Urban – que muita gente vai reconhecer pelo seu estilo porradeiro como o Bruto de The Boys. O longa capricha no fan service, entrega visuais imponentes e não economiza no banho de sangue com os clássicos fatalities. Só que, mesmo com nomes de peso e um Cage cheio de marra, quem acaba engolindo o protagonismo e roubando a cena de verdade é Adeline Rudolph, que chega entregando uma Kitana sensacional.

Essa transição da tela do cinema para o sofá de casa nos lembra exatamente por que o lore de Mortal Kombat é tão fascinante: a escala de poder é absurdamente fora da curva. A franquia construiu sua legião de fãs ao misturar ninjas, divindades, criminosos e abominações em um mesmo ringue. E enquanto assistimos ao elenco do filme lutar pela sobrevivência, nos jogos, alguns desses caras operam em níveis cósmicos, deixando muito herói no chinelo. Para entender o buraco sem fundo que é a mitologia da franquia, bora olhar para os cinco pesos-pesados incontestáveis que definem o que é ser apelão de verdade.

Os Arquitetos e os Monstros da Franquia

Pegando a quinta posição, esbarramos na anomalia temporal que é o Geras. Criado do zero pela Titã Kronika apenas com a função de ser o cão de guarda da Ampulheta do Tempo, o cara é uma existência completamente artificial. Lá no Mortal Kombat 1, com a Kronika indo de base, Liu Kang decidiu dar uma recauchutada no maluco para que ele protegesse a nova linha do tempo. E o trampo dele é facilitado por um detalhe: Geras é literalmente um “ponto fixo no tempo”. Você pode obliterar, triturar ou desintegrar o cara de mil jeitos diferentes que ele simplesmente se remonta alguns segundos depois. Junte isso ao controle total sobre as Areias do Tempo, podendo paralisar a luta e manipular eventos ao bel-prazer, e você entende por que ele é uma dor de cabeça imortal.

A força bruta pura também cobra seu pedágio nesse universo. Lembra do Motaro? Aquele centauro gigantesco de quase três metros de altura, metade homem e metade cavalo, que já distribuía traumas na galera desde o Mortal Kombat II original. O bicho usa a própria biologia como arsenal, incluindo uma cauda imensa que funciona basicamente como uma terceira perna, transformando ele num trator que não dá trégua e persegue o adversário o tempo inteiro. Um degrau acima dele, assumindo o terceiro lugar, está a clássica máquina de moer ossos: Goro. Presente na nossa vida desde os fliperamas de 1992, o Príncipe dos Shokan – uma raça bizarra que cruza humanos com dragões – só precisa de alguns socos de seus quatro braços para mandar qualquer terráqueo pro além. A estatura imponente e a habilidade de cuspir fogo fazem do Goro um dos monstros mais assustadores que a franquia já concebeu.

O Topo do Panteão

No segundo lugar do pódio, a majestade do Earthrealm em pessoa. Liu Kang não é só o rosto principal da marca e o maior campeão do pedaço; o cara tem nas costas a vitória contra lendas do crime e da tirania como Shang Tsung, Goro e o próprio Shao Kahn. A apelação ficou séria de verdade após os eventos de Mortal Kombat 11. O monge fundiu sua essência com a de Raiden e uma versão do seu próprio passado, ganhando um crachá de divindade e virando o Deus do Fogo e do Trovão. Com esse buff absurdo, ele derrotou a Titã Kronika e tomou posse da Ampulheta. Vale notar que em MK1, numa jogada de mestre, Liu Kang dá um downgrade na própria carteira de trabalho, rebaixando-se de Titã para semideus. Foi o sacrifício necessário para resetar o universo e tentar arquitetar uma realidade menos caótica. Ainda assim, se a chapa esquentar, ele continua sendo o protetor mais letal do rolê.

E no topo de toda essa cadeia alimentar, reinando absoluto no primeiro lugar, está The One Being (O Ser Único). Muita gente até esquece do cara, mas estamos falando de uma entidade tão massiva que, lá nos primórdios da existência, se alimentava da pura essência dos Deuses Ancestrais. O bicho era tão quebrado que as divindades precisaram criar um sindicato, se unir e suar muito sangue para derrotá-lo. O pior? Eles nem conseguiram matar o cara de vez. A consciência desse ser foi estilhaçada e aprisionada nas relíquias Kamidogu, que, por sua vez, acabaram gerando os Seis Reinos. Aliás, rola uma teoria forte na comunidade de que essa mania incessante dos vilões de tentarem fundir os reinos a qualquer custo é, na verdade, uma manipulação inconsciente do The One Being. No fundo, a entidade estaria mexendo os pauzinhos pelas sombras, juntando os próprios pedaços para voltar a ficar inteira e simplesmente devorar toda a realidade de novo. Se é teoria ou fato, a NetherRealm mantém em aberto, mas só a possibilidade já mostra que, em Mortal Kombat, a porrada vai muito além de espinhas quebradas.